Brasil x EUA: A Guerra do aço e o título de 'China da América Latina' - Subsídios, tarifas e a batalha pela competitividade global

Brasil e Estados Unidoss estão travando uma batalha silenciosa, mas intensa, no mercado global de aço. De um lado, os EUA, preocupados em proteger sua indústria e empregos. Do outro, o Brasil, acusado de práticas comerciais que distorcem a concorrência. Essa história, que parece saída de um thriller econômico, ganhou novos capítulos em 2025, quando a principal associação do aço dos EUA enviou uma carta à Casa Branca, comparando o Brasil à “China da América Latina”. Vamos desvendar os detalhes dessa disputa e entender por que ela é tão relevante.
O que está em jogo? O aço como protagonista
O aço é um dos pilares da economia global, usado em construções, automóveis, infraestrutura e muito mais. Por isso, qualquer mudança no mercado siderúrgico tem impactos profundos. Em 2025, os EUA enfrentavam um déficit de 18 milhões de toneladas de aço, enquanto o mundo lidava com um excesso de capacidade produtiva de 644 milhões de toneladas, segundo a OCDE. Esse cenário criou um campo de batalha perfeito para disputas comerciais.
As tarifas de Trump: Um muro contra as importações
Em 2018, o então presidente Donald Trump impôs tarifas de 25% sobre o aço e o alumínio importados. Em 2025, essas tarifas ainda estavam em vigor, afetando todos os fornecedores, incluindo o Brasil. A justificativa era proteger a indústria norte-americana, mas o efeito colateral foi uma guerra comercial que se estendeu por anos.
O Brasil no centro das críticas: A “China da América Latina”
A Steel Manufacturers Association (SMA), principal entidade do setor nos EUA, enviou uma carta ao governo norte-americano acusando o Brasil de práticas desleais. O país foi chamado de “China da América Latina” devido aos subsídios governamentais à indústria siderúrgica. A SMA argumentou que o Brasil tem uma capacidade produtiva de 50,9 milhões de toneladas, mas produziu apenas 31,8 milhões em 2023, deixando uma grande parte ociosa. Mesmo assim, o país anunciou um plano de R$ 100 bilhões para expandir sua produção, o que gerou alertas nos EUA.
Subsídios e créditos: O papel do BNDES
Um dos pontos mais polêmicos da carta foi a crítica ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A SMA afirmou que o banco oferece linhas de crédito subvencionadas, como o Finame – Baixo Carbono, que financia projetos de energia renovável e eficiência energética. Para os EUA, esses subsídios dão ao Brasil uma vantagem injusta no comércio global.
Barreiras comerciais: Tarifas e taxas que dificultam o comércio
Além dos subsídios, a SMA criticou as tarifas brasileiras sobre o aço importado, que variam de 12,6% a 35%. Outro ponto de atrito foi o Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante (AFRMM), uma taxa sobre o frete marítimo que encarece o aço americano no Brasil. Essas barreiras, segundo a associação, dificultam a competitividade dos produtores norte-americanos.
O fluxo comercial: Semi-acabados e dependência
O Brasil exporta principalmente produtos semi-acabados de aço para os EUA, que são transformados em chapas, tubos e fios. Dois terços dos investimentos e empregos no setor siderúrgico norte-americano dependem desses produtos. Em 2025, 70% das importações americanas de placas de aço vieram do Brasil, o que foi visto como um “suprimento desnecessário” pela SMA.
Por que isso importa? Impactos globais e locais
Essa disputa não afeta apenas Brasil e EUA. Ela reflete os desafios de um mercado globalizado, onde políticas comerciais e subsídios podem distorcer a concorrência. Para o Brasil, a expansão da produção de aço é uma oportunidade de crescimento econômico. Para os EUA, é uma ameaça à indústria doméstica e aos empregos. O desfecho dessa história pode influenciar o futuro do comércio internacional.
Um jogo de xadrez econômico
A disputa entre Brasil e EUA no setor siderúrgico é como um jogo de xadrez, onde cada movimento tem consequências estratégicas. Enquanto os EUA buscam proteger sua indústria, o Brasil investe para se consolidar como um player global. A resolução desse conflito exigirá diálogo, negociações e, talvez, concessões de ambos os lados. Enquanto isso, o mundo observa atentamente, pois o resultado pode redefinir as regras do comércio internacional.