Lula no Japão e Vietnã: Estratégia do Brasil para fugir da guerra comercial de Trump e conquistar novos mercados

Em um cenário global marcado por tensões comerciais e políticas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva embarcou em uma viagem estratégica ao Japão e ao Vietnã. Essa visita, sua primeira de longa distância após recuperar-se de um acidente doméstico em outubro, reflete a busca do Brasil por diversificar suas parcerias além dos tradicionais gigantes China e Estados Unidos. Com relações diplomáticas de 130 anos com o Japão e 35 anos com o Vietnã, o governo brasileiro reforça sua postura de fortalecer laços em um mundo cada vez mais multipolar.
Contexto geopolítico e importância da viagem
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Diversificação de parcerias: Em meio às tarifas impostas pelo governo Trump e à ascensão da China, o Brasil busca equilibrar suas relações, reduzindo dependência de poucos atores globais.
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Resposta a incertezas globais: Especialistas destacam que a instabilidade na ordem internacional, com a retração dos EUA e a expansão chinesa, incentiva países como Brasil e Japão a ampliarem suas redes de cooperação.
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Posicionamento estratégico: A viagem sinaliza que o Brasil não se limita ao eixo Washington-Pequim, mas investe em parcerias com economias dinâmicas e complementares.
Objetivos da visita ao Japão
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Abertura do mercado japonês para carnes brasileiras: Um pleito antigo (cerca de 20 anos), que enfrenta resistências do setor agrícola japonês, preocupado com concorrência. O Brasil espera compromissos concretos, como a vinda de uma missão sanitária japonesa para avaliar os padrões brasileiros.
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Avanço no acordo Mercosul-Japão: Embora não haja expectativa de anúncios imediatos, a visita busca "impulsionar politicamente" as negociações, que poderiam facilitar o comércio de bens e serviços.
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Cooperação em tecnologia e sustentabilidade: Cerca de 80 acordos devem ser assinados, incluindo projetos em ciência, recuperação de pastagens e combustíveis sustentáveis. A Embraer também negocia a venda de 15 a 20 aviões.
Vietnã: Um parceiro emergente
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Crescimento econômico e oportunidades: O Vietnã, membro da Asean (Associação das Nações do Sudeste Asiático), é visto como um mercado promissor para exportações brasileiras, como commodities e manufaturados.
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Diálogo político: Lula se reunirá com o primeiro-ministro Pham Minh Chinh e o presidente Luong Cuong, fortalecendo laços em áreas como comércio e investimentos.
Desafios e expectativas
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Barreiras sanitárias e protecionismo: No Japão, o setor agropecuário brasileiro enfrenta resistências, enquanto o Mercosul precisa superar divergências internas para fechar acordos.
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Contexto doméstico: A viagem ocorre em um momento de queda na popularidade de Lula e pressões por reformas ministeriais, com a presença de aliados do "centrão" na comitiva.
A viagem de Lula ao Japão e ao Vietnã simboliza uma aposta do Brasil em uma política externa pluralista, capaz de navegar em um mundo fragmentado. Embora os resultados concretos possam ser limitados no curto prazo, o gesto reforça a busca por autonomia estratégica e a integração com economias asiáticas dinâmicas. Em um momento de incertezas globais, a mensagem é clara: o Brasil não quer depender apenas de Washington ou Pequim, mas construir pontes que garantam crescimento e influência em múltiplos fronts.