Por que a polícia prende de forma errada e como isso reflete um sistema penitenciário injusto? Debate sobre falhas na segurança pública do Brasil

No cenário atual da segurança pública no Brasil, um tema tem ganhado destaque: a eficácia das prisões realizadas pela polícia e o papel do Judiciário na liberação de detidos. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, levantou uma discussão polêmica ao afirmar que a polícia prende de forma equivocada, o que obriga o Judiciário a soltar os presos. Essa declaração foi o ponto central de um debate entre o advogado Vitor Marques e o empresário e ex-deputado federal Alexis Fonteyne, no programa O Grande Debate, da CNN. O tema reflete desafios estruturais do sistema de justiça e segurança no país, envolvendo questões como superlotação carcerária, impunidade e a necessidade de integração entre as instituições.
A fala de Lewandowski e a reação das instituições
Durante uma palestra sobre o impacto da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o ministro Lewandowski criticou a forma como as prisões são realizadas. Ele afirmou que o jargão "a polícia prende e o Judiciário solta"
é uma realidade, mas que o problema está na qualidade das prisões. Segundo ele, a polícia prende mal, muitas vezes sem seguir os procedimentos legais adequados, o que leva o Judiciário a liberar os detidos por falta de provas ou irregularidades processuais. Lewandowski também destacou a falta de integração entre as instituições policiais como um dos principais entraves para a eficácia das ações de segurança pública.
Essa declaração gerou reações fortes de instituições policiais, que repudiaram as críticas do ministro. Em um manifesto, essas instituições defenderam o trabalho das forças de segurança e argumentaram que o problema não está na atuação da polícia, mas na falta de rigor do sistema judiciário.
O debate entre Vitor Marques e Alexis Fonteyne
No programa O Grande Debate, Vitor Marques concordou parcialmente com Lewandowski, reconhecendo que o Brasil prende muito e prende mal. Ele destacou que o país tem a terceira maior população carcerária do mundo, com quase um milhão de pessoas presas, mas isso não se reflete em maior segurança pública. Marques apontou que o perfil dos presos é majoritariamente composto por pessoas pobres, negras e oriundas de periferias, o que revela um problema social e racial nas abordagens policiais. Para ele, é necessário reconhecer essas falhas sem demonizar as polícias, mas buscando soluções integradas.
Por outro lado, Alexis Fonteyne defendeu que a polícia está cumprindo seu papel ao prender criminosos, mas enfrenta um sistema judiciário que desestimula seu trabalho. Ele criticou as audiências de custódia, onde muitos detidos são liberados devido à superlotação dos presídios ou falhas processuais. Fonteyne argumentou que essa impunidade gera um ciclo de violência, onde criminosos agem com mais ousadia, sabendo que as chances de permanecerem presos são baixas. Ele também questionou a credibilidade do Judiciário, citando casos de corrupção que, segundo ele, enfraquecem a confiança na Justiça.
A relevância do debate
1.
Superlotação carcerária: O Brasil enfrenta um grave problema de superlotação em seus presídios, o que impacta diretamente a qualidade das prisões e a capacidade do sistema judiciário de manter os criminosos detidos.
2.
Falhas na integração institucional: A falta de comunicação e coordenação entre as polícias e o Judiciário é um dos principais obstáculos para a eficácia da segurança pública.
3.
Desigualdade social e racial: O perfil da população carcerária reflete desigualdades profundas, com um número desproporcional de negros, pobres e moradores de periferias sendo presos.
4.
Impunidade e sensação de insegurança: A liberação frequente de detidos gera uma sensação de impunidade, que pode contribuir para o aumento da criminalidade e da violência.
O debate sobre a qualidade das prisões e a atuação do Judiciário revela desafios complexos e multifacetados no sistema de segurança pública brasileiro. Enquanto Lewandowski e Marques destacam a necessidade de melhorar os procedimentos policiais e enfrentar as desigualdades sociais, Fonteyne aponta para a falta de rigor do Judiciário como o principal problema. A solução passa por uma integração mais eficiente entre as instituições, investimentos em políticas públicas que reduzam as desigualdades e uma revisão dos processos judiciais para garantir que a Justiça seja feita de forma justa e eficaz. Esse é um tema que exige diálogo, planejamento e ações concretas para que o Brasil possa avançar na construção de uma sociedade mais segura e igualitária.