STF arquiva inquérito de fraude na vacina de Bolsonaro: Entenda o caso, as polêmicas e o impacto político

No dia 28 de março de 2025, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu arquivar o inquérito que investigava o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) por supostas fraudes em seu cartão de vacinação contra a Covid-19. A decisão ocorreu após o procurador-geral da República, Paulo Gonet, pedir o arquivamento por falta de provas suficientes para sustentar as acusações. O caso gerou grande repercussão, pois envolvia alegações de que Bolsonaro e seu entorno teriam inserido dados falsos no sistema do Ministério da Saúde para manter um discurso antivacina.
O contexto da investigação
A Polícia Federal (PF) indiciou Bolsonaro em 2024 após apurar que seus dados de vacinação teriam sido adulterados no sistema do Ministério da Saúde. Mauro Cid, ex-assessor do ex-presidente, afirmou em delação premiada que agiu sob ordens de Bolsonaro para incluir registros falsos de imunização no nome dele e de sua filha, menor de idade. A PF alegou que a fraude serviria para sustentar o discurso antivacina do ex-presidente e seu grupo.
O argumento para o arquivamento
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, baseou-se em dois pontos principais para pedir o arquivamento:
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Falta de provas adicionais: A lei exige que delações premiadas sejam corroboradas por outras evidências, o que não ocorreu neste caso. Gonet destacou que, diferentemente do inquérito sobre suposta tentativa de golpe (no qual Bolsonaro foi denunciado), não havia provas autônomas confirmando a fraude no cartão de vacina.
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Ausência de necessidade prática: Os EUA, destino de Bolsonaro no final de 2022, não exigiam comprovante de vacina para titulares de passaporte diplomático (como ele) ou menores de idade (como sua filha), tornando a fraude desnecessária.
A reação de Bolsonaro e o impacto político
Bolsonaro negou qualquer envolvimento na fraude e comemorou o arquivamento nas redes sociais, compartilhando uma notícia sobre a decisão. O caso ocorre em um momento sensível para o ex-presidente, que recentemente se tornou réu em outro processo no STF, acusado de tentativa de golpe. Enquanto seus apoiadores viram no arquivamento uma vitória, críticos argumentam que a decisão reflete limitações probatórias, não necessariamente a inocência do ex-presidente.
O histórico de Bolsonaro e a Pandemia
Desde o início da pandemia, Bolsonaro adotou uma postura contrária às medidas sanitárias, como isolamento social e vacinação. Ele defendeu medicamentos sem eficácia comprovada (como cloroquina) e minimizou a gravidade da Covid-19. A PF sugeriu que a suposta fraude no cartão de vacina estava alinhada com essa narrativa, buscando manter a coerência de seu discurso antivacina.
"Quando líderes políticos ou religiosos colocam ideologia acima da ciência, colocam vidas em risco. Negar evidências, promover tratamentos sem comprovação ou alimentar movimentos antivacina não é liberdade de opinião – é negligência com a saúde pública. A verdade científica não é questão de debate partidário: é a linha que separa a vida da morte. Governantes não são médicos, e sua função não é criar dúvidas, mas proteger a população com base em fatos. A história julgará aqueles que, em nome do poder ou da fé, escolheram espalhar desinformação em vez de salvar vidas."
O arquivamento do inquérito sobre a fraude no cartão de vacina encerra um capítulo específico das investigações contra Bolsonaro, mas deixa questões em aberto sobre a relação entre seu governo e as políticas de saúde durante a pandemia. A decisão do STF reforça a importância de provas concretas além de delações, mesmo em casos de alto perfil. Enquanto isso, Bolsonaro segue enfrentando outros processos judiciais, que continuam a moldar seu legado político e jurídico.