Nur, a ursinha polar brasileira faz sua primeira aparição em público (contém fofura) – Confira

Imagem:Felipe Souza/BBC
Após 102 dias isolada com sua mãe em uma toca, a ursa polar Nur foi apresentada ao público no Aquário de São Paulo. O evento marca um feito inédito, já que Nur é o primeiro filhote de urso polar nascido na América Latina. Seu nascimento e desenvolvimento chamam a atenção não apenas por sua raridade, mas também por levantar debates sobre conservação ambiental, cativeiro e o impacto das mudanças climáticas na espécie.
Como foi o nascimento de Nur?
Nascimento em cativeiro
Nur nasceu em 17 de novembro de 2024, filha dos ursos Aurora e Peregrino, que vivem no Aquário de São Paulo há cerca de uma década. Seu nome, de origem árabe, significa "luz".
O período de isolamento
Nos primeiros 102 dias de vida, Nur e sua mãe ficaram isoladas em uma toca escura, um comportamento natural para ursos polares após o parto. Durante esse período, a mãe não se alimentou e dedicou-se exclusivamente aos cuidados da filhote.
A evolução da filhote
Nur nasceu pesando apenas 400 gramas e agora já atingiu 7 quilos. Ela segue constantemente sua mãe e está aprendendo habilidades essenciais, como a natação, mas ainda demonstra medo da água, o que é considerado normal para a idade.
A importância do nascimento de Nur
Primeiro caso na América Latina
Segundo especialistas consultados pela BBC News Brasil, este é o primeiro registro oficial do nascimento de um urso polar na região. No ano de 2024, apenas seis filhotes da espécie nasceram no mundo: quatro na Rússia, um na Alemanha e Nur no Brasil.
Risco de extinção
Ursos polares são considerados vulneráveis à extinção, principalmente devido ao derretimento do gelo no Ártico. Estudos apontam que a população da espécie pode diminuir em até 30% nos próximos anos devido ao aquecimento global.
Conservação e pesquisa
O nascimento de Nur representa uma oportunidade de estudar e aprimorar técnicas de reprodução da espécie em cativeiro, o que pode ser útil para esforços de conservação no futuro. Segundo especialistas, o acompanhamento da filhote poderá servir como referência mundial.
Debates sobre a criação de ursos polares no Brasil
O nascimento de Nur reacende debates sobre a presença de ursos polares em cativeiro, especialmente em um país tropical. Grupos de defesa dos direitos dos animais argumentam que manter esses animais em espaços fechados tem motivação comercial e que o ambiente não é adequado para seu bem-estar.
Espaço e condições do aquário
O Aquário de São Paulo afirma que segue as normas do Ibama, que exige um mínimo de 300 m² por casal de ursos. O recinto onde vivem Aurora e Peregrino tem 1.500 m², além de um tanque com 1 milhão de litros de água refrigerada e um teto retrátil para controle de luz solar.
A possibilidade de retorno à natureza
Especialistas apontam que, na prática, nem Aurora nem Nur poderiam ser reintegradas ao Ártico. Aurora foi resgatada ainda filhote após perder a mãe e nunca aprendeu a caçar, uma habilidade essencial para a sobrevivência na natureza. Por isso, ela não conseguiria ensinar a filhote essa técnica fundamental.
O impacto na conscientização ambiental
Para alguns especialistas, a presença de ursos polares em zoológicos pode gerar interesse pela espécie e conscientizar o público sobre os riscos ambientais. O professor Robert Young, da Universidade de Salford, na Inglaterra, afirma que nascimentos como o de Nur podem ajudar as pessoas a entenderem melhor os efeitos do aquecimento global no Ártico.
O futuro de Nur
-
Aprendizado com a mãe
Agora que saiu da toca, Nur terá contato com a dieta da mãe, que inclui peixe e frutas. Aos poucos, ela aprenderá a nadar e desenvolver outras habilidades importantes para sua vida no cativeiro. -
Impacto na visitação ao aquário
Com a chegada de Nur, o Aquário de São Paulo espera um aumento significativo de visitantes, podendo chegar a até 4 mil pessoas por dia. -
Referência para reprodução da espécie
O acompanhamento de Nur será documentado e poderá servir de modelo para outros zoológicos que trabalham com a reprodução da espécie em cativeiro.
O nascimento de Nur marca um evento histórico para a América Latina e reacende discussões importantes sobre a preservação dos ursos polares. Enquanto alguns defendem que sua presença no Brasil contribui para a conscientização ambiental, outros argumentam que manter a espécie em cativeiro não é a melhor solução. Independente da posição, a chegada de Nur evidencia a necessidade de um debate mais amplo sobre o impacto humano na vida selvagem e o futuro das espécies ameaçadas.