Por que o Brasil está entre os países mais felizes apesar das dificuldades? Os segredos por trás da felicidade brasileira em 2025

O Relatório Mundial da Felicidade 2025, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), trousse uma notícia animadora para o Brasil: o país subiu oito posições, ocupando agora o 36º lugar no ranking. Essa melhora coloca o Brasil como o segundo mais bem colocado da América do Sul, atrás apenas do Uruguai (29º). A Finlândia, pelo oitavo ano consecutivo, lidera a lista. Mas o que explica essa evolução brasileira? Vamos explorar os fatores, as análises de especialistas e a importância desse levantamento.
Os critérios do ranking: O que define um país "feliz"?
O relatório avalia seis pilares principais:
1.
PIB per capita: Indicador de riqueza e acesso a recursos.
2.
Suporte social: Redes de apoio familiar e comunitário.
3.
Expectativa de vida saudável: Qualidade e longevidade da população.
4.
Liberdade: Capacidade de tomar decisões sem coerção.
5.
Generosidade: Doações, voluntariado e ajuda a desconhecidos.
6.
Percepção de corrupção: Confiança nas instituições.
Esses elementos combinados oferecem um panorama multidimensional da felicidade, indo além da economia.
O salto do Brasil: Explicações psicológicas e sociais
Cristiano Nabuco, psicólogo e presidente da Associação Matera, destacou fatores cruciais para a melhora brasileira:
-
Resiliência pós-pandemia: O isolamento durante a Covid-19 elevou a valorização das interações sociais. Superada a crise, as "pequenas conquistas" ganharam significado.
-
Comparação social: Muitos brasileiros perceberam que sua situação era menos grave que a de outros, reforçando gratidão.
-
Conexão cultural única: O brasileiro cultiva laços sociais intensos, que atuam como "antídoto" contra o sofrimento.
O impacto da pandemia no ranking
Em 2022, o Brasil atingiu sua pior posição (49º), reflexo do isolamento e da incerteza gerados pela Covid-19. Nabuco explica que a ansiedade coletiva diminuiu com a retomada das atividades, reativando o bem-estar. Estudos citados por ele mostram que o isolamento afeta o cérebro de forma similar à dor física, reforçando a importância da reconexão.
Generosidade como motor da felicidade
A ONU inclui a benevolência como critério porque ela:
- Promove coesão social: Atos como doações fortalecem comunidades.
- Ativa o "warm glow effect": O cérebro reage à generosidade como se recebesse um presente, elevando a felicidade.
- Reduz estresse: Ajudar o próximo diminui tensões individuais.
A ascensão do Brasil no ranking reflete sua capacidade de superar crises através da valorização das relações humanas e da resiliência cultural. No entanto, desafios persistem, como a desigualdade e a corrupção, que ainda limitam uma posição mais alta. O relatório serve como um convite à reflexão: felicidade não é só economia, mas também conexão, liberdade e solidariedade. Enquanto a Finlândia continua a inspirar com suas políticas públicas, o Brasil mostra que, mesmo em adversidades, seu povo sabe encontrar motivos para sorrir.