Teste do cordão umbilical: Como medir o pH pode salvar bebês e evitar sequelas graves no nascimento

O nascimento é um dos momentos mais importantes e delicados da vida. É quando o bebê deixa de receber oxigênio da mãe, pelo cordão umbilical, e começa a respirar por conta própria. Na maioria das vezes, essa transição acontece sem problemas, mas, em alguns casos, algo pode dar errado, colocando a vida do bebê em risco. Um estudo recente, realizado por pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, mostrou que um teste simples e indolor no cordão umbilical pode ajudar a identificar bebês que sofreram falta de oxigênio durante o parto, permitindo intervenções rápidas que podem salvar vidas e evitar sequelas graves.
O que o pH do cordão umbilical revela?
O pH do sangue do cordão umbilical é como um "termômetro" da saúde do bebê no momento do nascimento. Ele indica se o bebê recebeu oxigênio suficiente durante o parto. Um pH baixo (abaixo de 7,05) sugere que o bebê sofreu privação de oxigênio, uma condição chamada acidemia neonatal. Isso pode causar danos ao cérebro e a outros órgãos, além de aumentar o risco de morte.
- A falta de oxigênio no nascimento é responsável por mais de um milhão de mortes de bebês por ano em todo o mundo.
- Bebês que sobrevivem podem desenvolver problemas como paralisia cerebral, epilepsia e deficiências intelectuais.
O que o estudo descobriu?
Os pesquisadores analisaram mais de 35 mil bebês nascidos na Suécia entre 1997 e 2012, acompanhando sua saúde por até 20 anos. Os resultados foram surpreendentes:
1.
Bebês com pH do cordão umbilical abaixo de 7,05 tiveram quatro vezes mais risco de desenvolver paralisia cerebral.
2.
A chance de epilepsia foi quase duas vezes maior nesses bebês.
3.
Deficiências intelectuais foram mais comuns quando o pH era ainda mais baixo (abaixo de 6,95).
Conclusão do estudo:
Quanto menor o pH do cordão umbilical, maior o risco de problemas neurológicos ao longo da vida.
Por que o cérebro é tão vulnerável à falta de oxigênio?
O cérebro é um órgão extremamente sensível. Quando há privação de oxigênio, os neurônios (células responsáveis pela comunicação cerebral) podem sofrer danos ou morrer. Isso afeta áreas importantes, como:
- Córtex motor: controla os movimentos e está ligado à paralisia cerebral.
- Hipocampo: essencial para a memória e o aprendizado.
- Gânglios basais: regulam os movimentos e podem ser danificados em casos de privação de oxigênio.
Esses danos podem levar a deficiências físicas e cognitivas que duram a vida toda.
Como o teste do pH do cordão umbilical pode ajudar?
O teste é simples, rápido e indolor. Após o parto, uma pequena amostra de sangue é coletada do cordão umbilical para medir o pH. Se o resultado for baixo, a equipe médica pode agir rapidamente para evitar danos.
Intervenções possíveis:
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Hipotermia terapêutica: o bebê é resfriado a 33,5°C por 72 horas. Isso desacelera o metabolismo cerebral, dando tempo para o cérebro se recuperar.
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Outros tratamentos estão sendo estudados para proteger ainda mais os recém-nascidos.
Por que não há um consenso global sobre o pH ideal?
Aqui está um desafio: diferentes países adotam valores diferentes para definir o que é um pH "anormal".
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Suécia e Noruega: consideram pH abaixo de 7,05 como anormal.
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Outros países: usam 7,00 ou menos como limite.
Essa diferença pode afetar o momento e a eficácia das intervenções. Por isso, é crucial estabelecer diretrizes globais para garantir que todos os bebês recebam os mesmos cuidados de alta qualidade.
Como esse teste pode mudar o futuro dos recém-nascidos?
A medição do pH do cordão umbilical deve se tornar uma rotina em todas as maternidades. Esse exame fornece informações valiosas sobre a saúde do bebê ao nascer e permite:
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Intervenções rápidas: que podem salvar vidas e prevenir sequelas.
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Melhoria nos cuidados neonatais: garantindo que cada criança tenha a chance de um começo de vida saudável.
Um passo simples para um futuro melhor
O teste do pH do cordão umbilical é uma ferramenta poderosa e acessível que pode transformar a vida de milhões de bebês. Com a detecção precoce da privação de oxigênio e intervenções rápidas, podemos reduzir mortes e prevenir deficiências que afetam a qualidade de vida.