Brasil como superpotência alimentar: Como o país exporta sustentabilidade e alimenta o mundo

O Brasil é reconhecido como uma "superpotência alimentar" e um "grande exportador de sustentabilidade", conforme destacou o economista Marcos Troyjo, ex-presidente do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos Brics). Em entrevista ao CNN Entrevistas, Troyjo explicou que o país possui uma combinação única de fatores estruturais e conjunturais que o posicionam como um fornecedor global de alimentos confiável e diferenciado. Essa análise traz à tona a importância estratégica do Brasil no cenário internacional, especialmente em um momento de transformações demográficas e geopolíticas.
Fatores estruturais: a base da sustentabilidade brasileira
Troyjo destacou que o Brasil possui características únicas que o tornam um player global essencial na produção de alimentos. Entre os fatores estruturais, ele citou:
1.
Recursos naturais abundantes: O país detém as maiores reservas hídricas do mundo e fenômenos naturais como os "rios voadores", que garantem um suprimento estável de água para a agricultura.
2.
Capacidade produtiva sustentável: A aliança entre o agronegócio e a preservação ambiental é um diferencial competitivo. O Brasil consegue expandir sua produção sem comprometer os ecossistemas, algo raro em outras grandes potências agrícolas.
3.
Teto retrátil para expansão: Diferente de outros países, o Brasil ainda tem espaço para aumentar sua produção de forma sustentável, graças à disponibilidade de terras e tecnologias avançadas.
Fatores conjunturais: oportunidades no cenário global
Além das vantagens estruturais, Troyjo apontou fatores conjunturais que favorecem o Brasil:
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Mudanças demográficas globais: Dos 198 países do mundo, 184 enfrentarão declínio populacional nos próximos 25 anos. No entanto, nove nações — incluindo Índia, Paquistão, Nigéria e Estados Unidos — terão crescimento populacional robusto, aumentando a demanda global por alimentos.
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Guerra comercial entre EUA e China: As tensões comerciais entre os dois países, iniciadas durante o governo de Donald Trump, levaram a China a impor restrições às importações agrícolas dos EUA. Isso abriu espaço para o Brasil se consolidar como principal fornecedor de commodities como soja, milho e carnes.
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Falta de competitividade de outros grandes produtores: A China é importadora líquida de alimentos, a Índia enfrenta problemas hídricos e de infraestrutura, e os EUA têm limitações em certas áreas. O Brasil, por outro lado, tem capacidade de escala e velocidade para atender à demanda global.
A importância da comunicação e da diplomacia econômica
Apesar das vantagens, Troyjo ressaltou que o Brasil precisa adotar uma postura mais ativa no exterior. Ele destacou a necessidade de melhorar a comunicação e a diplomacia econômica, reforçando a imagem do país como um exportador de sustentabilidade. "O nosso esforço de marketing tem que estar recheado dessa mensagem", afirmou. Essa estratégia é crucial para consolidar a posição do Brasil como líder global em produção sustentável de alimentos.
O Brasil no centro do futuro alimentar global
O Brasil está em uma posição privilegiada para se tornar a principal superpotência alimentar do mundo, graças à sua capacidade produtiva sustentável, recursos naturais abundantes e oportunidades criadas por mudanças demográficas e geopolíticas. No entanto, para aproveitar plenamente esse potencial, o país precisa investir em comunicação estratégica e diplomacia econômica, destacando seu compromisso com a sustentabilidade. Como concluiu Troyjo, "a geopolítica está convocando o Brasil a ser uma superpotência alimentar". Essa é uma oportunidade histórica que o país não pode desperdiçar.