Linha do tempo sobre o suposto golpe de Bolsonaro: Do inquérito à denúncia

O caso envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e sua suposta tentativa de golpe de Estado em 2022 está prestes a ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O processo, que tem como base um relatório detalhado da Polícia Federal (PF) com 884 páginas, envolve oito pessoas, incluindo Bolsonaro, e será analisado a partir da próxima terça-feira (25 de março de 2025). O caso é considerado um dos mais graves da história recente do Brasil, envolvendo acusações de organização criminosa e tentativa de subverter a ordem democrática.
1. O início da trama: A reunião de julho de 2022
A investigação aponta que a trama golpista teria começado em julho de 2022, quando uma reunião foi realizada para discutir ações contra o sistema eleitoral brasileiro. Essa reunião foi gravada e o vídeo foi encontrado no computador do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro. O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no STF, afirmou que o vídeo "nitidamente revela o arranjo de uma dinâmica golpista, no âmbito da alta cúpula do governo". Além de Bolsonaro, estavam presentes alguns de seus então ministros, o que reforça a gravidade das acusações.
2. A reunião com embaixadores e as acusações infundadas
Duas semanas após a reunião inicial, Bolsonaro convocou embaixadores no Palácio da Alvorada, onde fez declarações sem provas sobre supostas fragilidades do sistema eleitoral brasileiro. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), essa atitude foi uma tentativa de "verbalizar acusações falsas sobre fraudes eleitorais, por meio de truques informáticos". Esse episódio é visto como uma das bases para as acusações de abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação.
3. A eleição de 2022 e o início dos protestos golpistas
Em 30 de outubro de 2022, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) derrotou Bolsonaro nas urnas. Após a derrota, Bolsonaro manteve-se recluso e reduziu suas aparições públicas, incluindo as tradicionais lives de quinta-feira. Enquanto isso, apoiadores do ex-presidente iniciaram acampamentos em frente a quarteis do Exército em várias partes do país, especialmente no Distrito Federal e em Minas Gerais. Esses protestos foram vistos como uma tentativa de pressionar as Forças Armadas a intervir no processo democrático.
4. O plano "Punhal Verde e Amarelo"
Em novembro de 2022, segundo a PF, foi redigido o plano conhecido como "Punhal Verde e Amarelo", que previa o assassinato de Lula, do vice-presidente eleito Geraldo Alckmin (PSB) e do ministro Alexandre de Moraes. O plano, impresso no Palácio do Planalto pelo general Mario Fernandes, então secretário executivo da Secretaria-Geral da Presidência, tinha como objetivo impedir a posse de Lula. A data escolhida para os crimes seria 15 de dezembro, três dias após a diplomação do presidente eleito.
5. Os atos de violência e a fuga de Bolsonaro
Em 12 de dezembro de 2022, dia da diplomação de Lula, apoiadores de Bolsonaro tentaram invadir a sede da PF em Brasília e atearam fogo em veículos ao redor do prédio. Duas semanas depois, em 30 de dezembro, Bolsonaro deixou o Brasil e partiu para os Estados Unidos, antes da posse de Lula. Em 8 de janeiro de 2023, ocorreram os atos de vandalismo na Praça dos Três Poderes, que depredaram o Congresso Nacional, o STF e o Palácio do Planalto.
6. As consequências jurídicas e o julgamento no STF
Em junho de 2023, Bolsonaro foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), devido a abuso de poder e uso indevido dos meios de comunicação. Em novembro de 2024, ele foi indiciado pela PF no inquérito da tentativa de golpe de Estado, e em fevereiro de 2025, a PGR formalizou a denúncia ao STF. O julgamento, que começa na próxima semana, será crucial para definir o futuro político de Bolsonaro e dos demais envolvidos.
O caso Bolsonaro no STF é um marco na história política do Brasil, pois coloca em xeque a estabilidade democrática e a capacidade das instituições de lidar com tentativas de golpe de Estado. O julgamento não apenas determinará a responsabilidade dos acusados, mas também servirá como um teste para a resiliência do sistema jurídico brasileiro. A decisão do STF terá repercussões profundas, não apenas para os envolvidos, mas para toda a sociedade, reforçando a importância do respeito às normas democráticas e ao Estado de Direito.