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domingo, 2 de março de 2025 às 11:22 GMT+0

Alimentos processados e ultraprocessados: Qual a diferença e quais os riscos para a sua saúde?

A alimentação saudável é essencial para a qualidade de vida, mas ainda existem muitos mitos e desinformação sobre o que realmente faz bem ou mal. Durante sua participação no programa CNN Sinais Vitais, Patrícia Jaime, coordenadora científica do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP, explicou a diferença entre alimentos processados e ultraprocessados. Ela destacou a importância de incentivar o consumo de alimentos naturais e minimizar o uso de produtos industrializados que possam comprometer a saúde.

Para entender melhor essa questão, é importante conhecer as diferenças entre os tipos de alimentos industrializados e como a educação alimentar pode ajudar na adoção de hábitos mais saudáveis.

O que são alimentos processados e ultraprocessados?

Muitos acreditam que todo alimento industrializado faz mal, mas isso não é verdade. Patrícia Jaime esclarece que nem todo alimento processado é prejudicial. Veja as principais diferenças entre eles:

1. Alimentos processados: São aqueles que passaram por alguma modificação para aumentar sua durabilidade ou facilitar o consumo. Exemplos incluem arroz polido, carnes congeladas, leite pasteurizado e enlatados. Esses alimentos ainda mantêm boa parte de suas propriedades nutricionais e podem fazer parte de uma alimentação equilibrada.
2. Alimentos ultraprocessados: São aqueles que passaram por diversas etapas de processamento industrial, contendo ingredientes artificiais, como conservantes, corantes e realçadores de sabor. Exemplos incluem refrigerantes, salgadinhos, bolachas recheadas, embutidos e fast food. Esses produtos costumam ter alto teor de açúcar, gordura e sódio, aumentando o risco de doenças crônicas.

Por que os ultraprocessados são prejudiciais?

Pesquisas da USP mostram que o consumo frequente de ultraprocessados está diretamente ligado ao aumento de doenças como obesidade, diabetes, hipertensão e problemas cardiovasculares. Isso acontece porque esses alimentos:

  • Têm baixa qualidade nutricional, oferecendo poucas vitaminas e minerais essenciais.
  • Contêm grandes quantidades de substâncias químicas que podem alterar o metabolismo e afetar o funcionamento do organismo.
  • São projetados para serem viciantes, o que faz com que as pessoas consumam em excesso sem perceber.

O excesso de ultraprocessados na dieta brasileira é preocupante, pois cerca de 20% da alimentação da população já é composta por esses produtos. Isso reforça a necessidade de conscientização sobre os impactos negativos desse tipo de alimentação.

A importância de cozinhar em casa

Uma das melhores formas de evitar o consumo excessivo de ultraprocessados é resgatar o hábito de cozinhar em casa. Segundo Patrícia Jaime, preparar as próprias refeições ajuda a:

1. Controlar os ingredientes utilizados, garantindo uma alimentação mais natural e nutritiva.
2. Reduzir o consumo de conservantes e aditivos artificiais.
3. Desenvolver o prazer pela comida caseira, tornando as refeições mais saudáveis e saborosas.
4. Fortalecer laços familiares ao compartilhar momentos na cozinha.

O incentivo ao preparo de refeições caseiras não significa que as pessoas precisam parar de consumir produtos industrializados. O ideal é equilibrar a alimentação, priorizando ingredientes naturais e evitando excessos.

Como a educação alimentar pode ajudar?

A educação alimentar não se resume a dizer o que é saudável ou não. Ela envolve um processo de aprendizado contínuo que permite à população fazer escolhas mais conscientes. Alguns pontos fundamentais incluem:

  • Desconstrução de mitos: Muitas pessoas acreditam que todos os industrializados são ruins ou que certos alimentos naturais engordam, o que nem sempre é verdade. Informações baseadas em ciência ajudam a esclarecer esses equívocos.
  • Adoção de um olhar crítico sobre a alimentação: É importante aprender a ler rótulos e entender a composição dos alimentos antes de consumi-los.
  • Apoio ao Guia Alimentar para a População Brasileira: Esse guia, desenvolvido pelo Ministério da Saúde, orienta sobre o consumo de alimentos in natura e minimamente processados como base de uma alimentação equilibrada.

A alimentação saudável não precisa ser restritiva ou complicada. O segredo está no equilíbrio e na conscientização sobre o que se coloca no prato. Reduzir o consumo de ultraprocessados e priorizar alimentos naturais pode trazer benefícios significativos para a saúde, prevenindo doenças e melhorando a qualidade de vida.

A educação alimentar desempenha um papel essencial nesse processo, ajudando a população a compreender melhor sua relação com a comida e a fazer escolhas mais saudáveis. Pequenas mudanças diárias podem ter um grande impacto a longo prazo, tornando a alimentação um verdadeiro aliado do bem-estar.

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