Sexo com dor não é normal: Causas, tratamentos e como resolver (homens e mulheres)

A dor durante as relações sexuais é uma condição frequente, mas frequentemente negligenciada, que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Embora seja mais discutida em mulheres – segundo o American College of Obstetricians and Gynecologists, 3 em cada 4 mulheres experimentarão desconforto ou dor em algum momento da vida sexual –, os homens também podem sofrer com esse problema. Apesar da alta prevalência, muitos pacientes enfrentam dificuldades para receber diagnósticos precisos e tratamentos adequados, como ilustra a história de Nicole, uma californiana que luta há anos para identificar a causa de sua dor. Este resumo explora as causas, tratamentos e estratégias de apoio, destacando a importância de abordar o problema com seriedade e sensibilidade, independentemente do gênero.
Causas da dor durante o sexo
A dor pode ter origens diversas, incluindo:
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Tensão muscular: Músculos do assoalho pélvico excessivamente tensionados podem causar dor durante a penetração ou outras atividades sexuais, tanto em mulheres quanto em homens. A fisioterapeuta Anna Falter explica que estresse, traumas ou cirurgias prévias podem agravar essa condição.
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Desequilíbrios hormonais: A redução do estrogênio, comum na menopausa ou no pós-parto (especialmente durante a amamentação), pode levar à secura vaginal nas mulheres. Já nos homens, baixos níveis de testosterona podem causar dor ou desconforto.
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Condições médicas: Nas mulheres, endometriose ou vaginismo são causas comuns. Nos homens, condições como prostatite (inflamação da próstata), fimose (pele do prepúcio muito apertada) ou síndrome da dor pélvica crônica podem provocar dor durante ou após o sexo.
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Fatores emocionais: Ansiedade, experiências traumáticas ou tensão inconsciente podem afetar ambos os sexos, refletindo na dor pélvica ou em outras áreas.
Tratamentos disponíveis
Especialistas destacam abordagens eficazes para ambos os sexos:
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Fisioterapia pélvica: Técnicas como a liberação de pontos-gatilho (aplicação de pressão em músculos tensionados) e exercícios de alongamento ajudam a relaxar a região. Homens com dor pélvica crônica também podem se beneficiar desse tratamento.
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Terapias complementares: Yoga, com posturas como "borboleta" ou "criança", auxilia no alívio da tensão. Respiração diafragmática também é recomendada.
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Acompanhamento médico: Mulheres podem precisar de reposição hormonal para secura vaginal, enquanto homens podem requerer tratamento para prostatite ou outras condições urológicas.
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Apoio psicológico: Terapia sexual ou psicológica é útil quando a dor está ligada a traumas ou ansiedade.
Como apoiar um parceiro com dor
A comunicação e o respeito são fundamentais, independentemente do gênero:
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Interromper a relação sexual: Continuar diante da dor pode criar associações negativas e piorar o quadro.
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Explorar alternativas: Atividades não penetrativas (outercourse), como carícias ou sexo oral, mantêm a intimidade. Gestos afetivos (beijos, abraços) fortalecem o vínculo emocional.
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Participação no tratamento: Parceiros podem acompanhar sessões de fisioterapia ou consultas médicas para entender as limitações e apoiar a recuperação.
Importância e relevância do tema
1.
Saúde pública: A dor sexual é subdiagnosticada em ambos os sexos, e muitos pacientes são erroneamente encaminhados para tratamentos psicológicos sem investigação física adequada.
2.
Qualidade de vida: A condição impacta relacionamentos e autoestima, exigindo abordagens multidisciplinares (ginecologistas, urologistas, fisioterapeutas, terapeutas sexuais).
3.
Empoderamento: Histórias como a de Nicole destacam a necessidade de advocacy por melhores cuidados médicos e conscientização social, incluindo a discussão sobre dor sexual em homens, que ainda é um tabu.
Dor durante o sexo não é "normal" e merece atenção médica e emocional, seja em mulheres ou homens. Desde terapias físicas até o apoio de parceiros, as soluções existem, mas exigem quebrar tabus e promover diálogos abertos. Como reforça a terapeuta Eva Dillon, "o sexo deve ser prazeroso, não doloroso". Investir em educação sobre saúde sexual e tratamentos acessíveis é essencial para garantir o bem-estar de todos.