Presença invisível em momentos de perigo: 3 casos reais da "síndrome do terceiro homem"

Ao longo da história, relatos de indivíduos que enfrentaram situações extremas frequentemente incluem a sensação de uma "presença invisível" que os guiou ou protegeu. Esse fenômeno, conhecido como Síndrome do Terceiro Homem, já foi documentado em exploradores, montanhistas e sobreviventes de catástrofes. Alguns atribuem essa experiência a fatores psicológicos, como o cérebro sob estresse, enquanto outros veem nela algo sobrenatural, como a intervenção de "anjos da guarda". A seguir, três casos emblemáticos que ilustram esse mistério.
1. Ernest Shackleton e a travessia impossível na Geórgia do Sul
Em 1916, o explorador britânico Ernest Shackleton e dois companheiros, Tom Crean e Frank Worsley, enfrentaram uma jornada desesperadora após seu navio, o Endurance, ficar preso no gelo do Ártico. Eles atravessaram montanhas e geleiras da Geórgia do Sul em busca de ajuda, e todos relataram a mesma sensação: uma quarta pessoa invisível os acompanhava.
- Importância do caso: Esse relato é um dos mais citados em estudos sobre a Síndrome do Terceiro Homem, pois foi documentado por três pessoas independentes, descartando alucinações isoladas.
- Relevância científica: Pesquisadores sugerem que a exaustão extrema e o estresse podem desencadear mecanismos cerebrais de autopreservação, criando a ilusão de um "companheiro protetor".
2. Frank Smythe e o Everest: O alpinista que ofereceu comida ao vazio
Em 1933, o montanhista Frank Smythe tentou escalar o Monte Everest sozinho após seus companheiros desistirem. Durante a subida, ele sentiu uma presença tão vívida que chegou a dividir seu lanche com ela.
- Detalhe intrigante: Smythe descreveu a sensação como tão real que eliminou completamente sua solidão, algo incomum em situações de isolamento extremo.
- Explicações possíveis: A privação de oxigênio em grandes altitudes pode causar alucinações, mas Smythe manteve lucidez em outros aspectos da escalada, deixando dúvidas sobre a origem da experiência.
3. Reinhold Messner e o "terceiro homem" no Himalaia
Em 1970, o lendário alpinista Reinhold Messner e seu irmão Günther conquistaram o cume da montanha Nanga Parbat, mas enfrentaram uma descida mortal. Messner jurou sentir um terceiro alpinista invisível guiando-os, embora Günther não tenha sobrevivido ao retorno.
- Evolução do relato: Anos depois, Messner reinterpretou a experiência como uma "projeção de si mesmo", sugerindo um estado dissociativo induzido pelo trauma.
- Impacto na cultura: Seu caso é frequentemente estudado em psicologia e parapsicologia, pois mistura elementos fisiológicos (como hipóxia) e psicológicos (como a necessidade de conforto em momentos críticos).
Entre a ciência e o mistério
Esses três casos compartilham padrões fascinantes:
1.
Ocorreram em situações de risco extremo, com sobrevivência em jogo.
2.
Foram vivenciados por pessoas treinadas e mentalmente resistentes, descartando explicações simplistas como "imaginação".
3.
Geram debates entre neurocientistas (que apontam para mecanismos de defesa do cérebro) e defensores de teorias transcendentais.
Seja qual for a explicação, esses relatos revelam a complexidade da mente humana diante do perigo. Como escreveu Shackleton:
"Às vezes, a única coisa que nos impede de desistir é a sensação de que não estamos sozinhos".